quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Contos de Perplexidade e Êxtase


Contos de Perplexidade e Êxtase

Livro em Português

KINDLE - AMAZON
EM PAPEL - Impressão Sob demanda

Autor: Marcel Schwob
Palavras: 30.709
Tradução: Carlos U. Pozzobon


Não se pode ler Schwob sem estar preparado para entender o assombro que permeia seus contos. Para este escritor de vida breve (1867-1905), o paradoxo é a própria essência da vida, em cujo desenrolar o destino humano encontra seu fim na autoaniquilação produzida pela alucinação de uma ideia, de um desejo, de um sonho. Para Schwob, que foi estudioso das culturas greco-romana e medieval, a literatura se confunde com a natureza dos homens incapazes de deter um pensamento, uma obsessão, que podem ser tanto o desejo de encarnar um deus, ou a danação de sucumbir a uma paixão incontrolável.

Em cada conto, consegue com uma maestria peculiar de umas poucas frases criar o personagem que irá seguir seu destino de crueldade ou santidade, de fanatismo ou de profecia. Talvez porque as dicotomias que compõem a razão humana se assemelhem em algum momento. Não sabem onde começa o sonho e onde termina a realidade. O destino quase sempre é infame, mas ele traz uma revelação que o personagem não consegue duvidar.

Esta característica dual está na raiz dos contos de Schwob. Ele foi um dos predecessores de Borges, e não por acaso o argentino prefaciou a edição espanhola de seu livro A Cruzada dos Meninos. Neste conto, o resgate efetuado por Schwob vai muito além da mera perplexidade: faz parte daqueles momentos em que a humanidade parece tomada por uma histeria coletiva: "o fato é que durante 2 séculos a paixão de resgatar o santo sepulcro dominou as nações do Ocidente, não sem maravilha, talvez, de sua própria razão... No princípio do século XIII, partiram da Alemanha e da França duas expedições (cruzadas) de meninos. Acreditavam poder atravessar de pé enxuto os mares. Não os autorizavam e protegiam as palavras do Evangelho deixai vir a mim os pequeninos e não os impedis (Lucas, 18:16) ?; não havia declarado o Senhor que basta a fé para mover uma montanha (Mateus 17:20)?", pergunta Borges. A coluna de meninos peregrinos foi engrossando por todos os vilarejos por onde passava. A adesão de outros meninos à causa era tão esmagadora que as estradas se encheram de pequenos peregrinos. A coluna se dividiu, uma indo em direção à Marselha e outra à Gênova. Fora mandada aos mares para aliviar a pressão das cidades tomadas de meninos. O destino desses garotos é contado magistralmente por Schwob usando a voz de diversos narradores. E a missão, naturalmente, termina na mesma perplexidade com que havia começado.

Assim são os Contos de Perplexidade e Êxtase que a Pzz Editora selecionou das obras de Marcel Schwob. A cada nova história, um mergulho no abismo e ao mesmo tempo, uma estranha impressão de que o homem é o mesmo em qualquer época, que todos os exemplares humanos se repetem em outros lugares como se uma estranha programação do universo forçasse os homens para fazer aquilo que só entrevemos nos sonhos, e muito mais, nos pesadelos.


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